Portal Bastidores NewsVoltar à capa ›
Políticas

A Memória Curta do País: O Que a História Institucional do Brasil Revela Sobre Conquistas e Partidarismo

Agora há pouco● Leitura de 1 min● Por Guilherme AAraújo - Jornalista Investigativo | Escritor | Ativista Político | Gestor em Políticas Públicas | Palestrante | Negociador e Mediador de Conflitos | Membro da ABI/RJ
A Memória Curta do País: O Que a História Institucional do Brasil Revela Sobre Conquistas e Partidarismo

Até quando permitiremos que o debate político brasileiro seja sequestrado pela amnésia e pela ilusão de que o país nasce a cada quatro anos? A análise detalhada da linha do tempo institucional, que mapeia a origem de programas e medidas estruturantes do Estado brasileiro, nos obriga a confrontar uma verdade incômoda: as grandes conquistas sociais, econômicas e de saúde pública do Brasil não pertencem a um único governo ou partido, mas são frutos de um longo processo histórico de construção contínua.


CCrítica e humanizada, essa constatação desconstrói a polarização barulhenta que tenta apagar o passado para reivindicar o monopólio do bem social. Quando observamos que o 13º salário nasceu em 1962 sob João Goulart, que o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Zé Gotinha foram consagrados na redemocratização de 1988 com José Sarney, que o Plano Real estabilizou a moeda em 1994 com Itamar Franco, e que o Cadastro Único (CadÚnico) e os programas precursores do Bolsa Família foram estruturados em 2001 e 2002 sob Fernando Henrique Cardoso, percebemos que o Estado de Bem-Estar Social brasileiro é uma obra coletiva, erguida com o suor de diferentes gestões e gerações.

A reflexão que fica é urgente: enquanto o debate público se consumir em disputas partidárias estéreis sobre "quem criou o quê", perderemos de vista o essencial, que é o fortalecimento e a fiscalização dessas políticas na ponta, onde o cidadão comum realmente precisa delas. Reconhecer a verdadeira paternidade histórica dessas conquistas não é um exercício de nostalgia, mas um ato de maturidade cívica, a prova irrefutável de que o Brasil que dá certo é aquele que consegue construir pontes entre o passado e o futuro em prol da dignidade humana.

Compartilhe
‹ Voltar à capa