A Paixão que Cega: Por Que Continuamos Lutando Pelo Passado Enquanto o Futuro Esgota Seus Prazos?
Há uma energia inesgotável e, paradoxalmente, infrutífera que consumimos diariamente ao ressuscitar velhas contendas, reescrever rivalidades antigas e nos aferrar a símbolos do passado. Enquanto o debate público e as rodas de conversa parecem eternamente prisioneiros de mágoas políticas e de acusações que já perderam o sentido prático, o relógio do futuro avança implacável, esgotando os prazos para resolvermos os problemas reais que sufocam a nossa sociedade.
O perigo invisível dessa paixão cega é que ela nos anestesia diante das urgências do presente. Enquanto nos digladiamos em trincheiras ideológicas sobre quem errou mais ou quem começou primeiro, a infraestrutura das nossas cidades definha, os gargalos na saúde pública cobram vidas humanas e as demandas por saneamento, educação e emprego exigem respostas que não podem mais esperar. O passado serve para ser compreendido e honrado em suas lições, mas nunca para se transformar em uma âncora que afunda o barco da inovação e da justiça social.
A reflexão que se impõe, de Caraguatatuba ao restante do país, é dura, mas libertadora: até quando trocaremos a construção de um amanhã próspero pela repetição exaustiva de nostalgias partidárias e ressentimentos estéreis? O futuro não aguarda os atrasados pela própria teimosia. Precisarmos de maturidade coletiva para desatar os nós do ontem, virar as páginas que já cumpriram seu ciclo e canalizar cada gota de nossa energia para as soluções pragmáticas que o povo brasileiro, em sua simplicidade e grandeza, tanto precisa e merece.