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Jurídica

A toga sob o efeito do escândalo: CNJ afasta juiz que bebeu, fumou e atacou cortes superiores durante audiência virtual

Em uma cena que beira o surrealismo institucional, o tribunal transformou-se em palco de descontrole e ofensas públicas. Quando a sobriedade exigida pelo cargo é substituída pela audácia do desrespeito às leis, o preço a pagar é a própria cadeira na magistratura.

04/09/2026 Leitura de 2 min Por Jady, Jornalista, escritora, poeta e cientista politica
A toga sob o efeito do escândalo: CNJ afasta juiz que bebeu, fumou e atacou cortes superiores durante audiência virtual

A cúpula do Poder Judiciário brasileiro voltou a ser sacudida por um episódio de forte repercussão ética e disciplinar. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento imediato do juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após vir a público a gravação de uma sessão na qual o magistrado apareceu fumando e consumindo vinho de forma ostensiva durante a condução de atos judiciais.


De acordo com as apurações relatadas pelo blog da jornalista Camila Bomfim, o comportamento inadequado dentro do ambiente de julgamento virtual veio acompanhado de desdobramentos ainda mais graves. Em vídeos que circularam amplamente entre colegas de profissão e nas redes sociais, o juiz não apenas demonstrou o que ministros do CNJ classificaram como completa falta de "domínio de si", mas também desferiu ataques verbais e ofensas diretas contra instâncias superiores, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, além de lançar acusações de corrupção sem apresentar quaisquer provas.

O peso da medida e a defesa do decoro

Com a decisão do CNJ, o magistrado fica impedido de desempenhar quaisquer funções jurisdicionais e administrativas até a deliberação final da Corregedoria Nacional de Justiça no processo disciplinar instaurado. Entidades de classe e órgãos como a OAB-MG repudiaram o episódio, ressaltando que o exercício da jurisdição exige um "mínimo de sobriedade" e respeito intransigível aos deveres da ética pública.

Em sua defesa divulgada posteriormente em gravações na internet, Milton Lívio alegou ser vítima de difamação e perseguição institucional, mantendo o tom de embate contra as autoridades que conduziram sua suspensão.

Reflexão: A dignidade da toga em xeque

A grande provocação que este episódio lamentável nos deixa escancara um dilema profundo sobre a responsabilidade pública: como exigir do cidadão comum o respeito às leis e às sentenças quando aqueles que detêm o poder de julgar rasgam o decoro básico exigido pela toga?

A rápida intervenção do CNJ reafirma que o manto sagrado da Justiça não pode servir de escudo para o arbítrio e o desrespeito institucional. A purificação dos quadros públicos é o único caminho para devolver à sociedade a crença inegociável na seriedade e na lisura do sistema judicial brasileiro.

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