Amnésia Partidária: O Custo de Ignorar que o Brasil Não Nasce a Cada Eleição
Há um hábito cíclico e pernicioso que se repete a cada ciclo eleitoral na política brasileira: a vã tentativa de apagar o passado para reinventar a roda a cada quatro anos. Como se o país e os municípios dessem as boas-vindas à história apenas no dia da votação, assistimos perplexos a gestões e partidos que tratam a administração pública como um terreno baldio, onde nada do que foi feito antes importa e onde a continuidade das políticas públicas é sacrificada no altar da vaidade político-partidária.
Mais do que um simples esquecimento conveniente, essa amnésia institucional custa caro, muito caro, para a sociedade. Quando cada nova legislatura decide descartar projetos em andamento, interromper obras essenciais ou ignorar legados administrativos apenas para estampar uma nova marca de governo, quem paga a conta é o cidadão. Hospitais que demoram a abrir, escolas cujas reformas empacam na transição de mandatos e programas sociais descontinuados revelam que o maior inimigo do desenvolvimento não é a falta de recursos, mas a obsessão de que a história do Brasil começa exclusivamente com a posse do governante da vez.
A reflexão que se impõe é profunda e urgente. Até quando toleraremos que o planejamento de longo prazo seja refém da miopia partidária e de disputas de egos? O progresso real de municípios como Caraguatatuba e do país exige maturidade política, respeito aos recursos públicos já investidos e a lucidez de que governar é um bastão que se passa, e não um trono que se usurpa. O Brasil não nasce a cada eleição; ele é a soma contínua das lutas, dos acertos e das obras que merecem ser honradas para além das urnas.