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Política

DA VULNERABILIDADE À INDEPENDÊNCIA: LEGISLATIVO DE CARAGUATATUBA CRIOU PONTE TRABALHISTA PARA MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

Há 55 minutos Leitura de 2 min Por Guilherme AAraújo - Jornalista Investigativo MTB 79157 | Escritor | Ativista Político | Gestor em Políticas Públicas | Palestrante | Negociador e Mediador de Conflitos | Membro da ABI/RJ nº E-002885

A independência financeira é, em muitos casos, o verdadeiro divisor de águas para que uma mulher consiga romper o ciclo silencioso da violência doméstica. Sem renda própria para sustentar a si e aos seus filhos, o medo do abandono econômico transforma-se em uma grade invisível que mantém centenas de vítimas sob a sombra dos seus agressores.

Atenta a essa barreira estrutural, a Câmara Municipal de Caraguatatuba deu um passo decisivo no fortalecimento da rede de proteção e autonomia feminina. Os parlamentares aprovaram por unanimidade, em segunda votação, o Projeto de Lei que prevê reserva de vagas de emprego em contratos públicos municipais para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.


Como funcionará a reserva de vagas?

O texto aprovado altera a legislação municipal em vigor para criar uma cota em empresas privadas que prestam serviços prestados com fornecimento de mão de obra contínua para a administração pública direta, autarquias e fundações do município.

Pelas novas regras:

Sigilo e dignidade no ambiente de trabalho

Para evitar constrangimentos, estigmas ou exposição indevida das trabalhadoras no ambiente profissional, o projeto estabelece diretrizes rigorosas de confidencialidade. A identificação das beneficiárias e o histórico de atendimento serão protegidos por sigilo absoluto, ficando restritos apenas aos órgãos de gestão e fiscalização do contrato.

A medida agora segue para a sanção do Poder Executivo para ser regulamentada e entrar em vigor na cidade.

Emprego como ferramenta de liberdade

Mais do que uma alteração em contratos de licitação, a nova lei propõe uma mudança social profunda. Afinal, a garantia de um posto de trabalho e de um salário no fim do mês representa a restituição da dignidade, da autoestima e da capacidade de planejar o futuro longe do agressor.

A iniciativa de Caraguatatuba acende uma reflexão que repercute por toda a região do Litoral Norte e do Vale do Paraíba: além de punir os criminosos e acolher as vítimas, de que forma o mercado e o poder público podem se unificar para construir portas reais de saída contra a violência de gênero?

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