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Cidades

Desenhando o amanhã: Como Caraguatatuba e o Litoral Norte se unem para reinventar a educação da próxima década

Em encontros estratégicos que articulam o Plano Decenal (2026-2036), educadores e gestores públicos discutem metas que vão muito além das salas de aula tradicionais. Afinal, que tipo de cidadão queremos formar para o mundo de amanhã?

03/09/2026 Leitura de 3 min Por Jady Jornalista e pesquisadora
Desenhando o amanhã: Como Caraguatatuba e o Litoral Norte se unem para reinventar a educação da próxima década

O futuro não acontece por acaso; ele é planejado nas entrelinhas de escolhas feitas no presente. Enquanto o cotidiano nos consome com urgências imediatas, o poder público e os educadores têm o dever de olhar adiante, traçando rotas que moldarão a vida das próximas gerações. É exatamente esse exercício de visão a longo prazo que movimentou recentemente gestores e especialistas da região.

Representantes de Caraguatatuba integraram mais uma etapa crucial da Rede de Cooperação da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (SASE/MEC). Realizado em Ilhabela, o encontro regional reuniu municípios do Litoral Norte e Bertioga com um propósito desafiador: a construção dos novos Planos Municipais de Educação para o período de 2026 a 2036.


O mapa para os próximos dez anos

Sob o mote "Planejamento Estratégico: Plano Decenal (2026-2036), Construindo o Futuro da Educação", o evento contou com a condução da articuladora regional Rejane Emilio e serviu para alinhar diretrizes fundamentais.

O grande mérito de um plano decenal reside na sua capacidade de transcender mandatos políticos. Trata-se de fixar metas de Estado e não de governo, garantindo que a bússola da aprendizagem continue apontando para a excelência e a inclusão, independentemente de quem esteja na gestão.

A delegação de Caraguatatuba, composta por articuladores técnicos da Secretaria de Educação (como Laércio Pereira Junior, Luiz Alfredo de Paula e Alessandro Barbosa Ribeiro), além de representantes do Conselho Municipal de Educação (Camila Pimentel Machado Gonçalves), do Fórum Permanente de Educação (Paula de Campos Bueno e Mariana Cristina Nereu) e da Unidade Regional de Ensino (Bruna Dias Pires de Souza), levou para o debate as particularidades da rede municipal, mostrando que o município já carrega no histórico o protagonismo de sediar etapas anteriores desse diálogo.

A escola sem muros: O território como sala de aula

Mais do que debater burocracias ou planilhas de metas, a programação em solo vizinho trouxe um elemento de forte inspiração: uma visita técnica à Escola de Velas e ao Centro de Cultura de Ilhabela.

A imersão provocou uma reflexão profunda sobre o conceito de Educação Integral em Tempo Integral, cuturando um velho paradigma: a sala de aula precisa ter paredes físicas? A resposta que ecoa desses encontros é um sonoro "não". O território costeiro, com suas riquezas ambientais, culturais e sociais, deve ser parte ativa e viva do processo de ensino.

Reflexão: O preço de não planejar

A grande curiosidade que fica para a sociedade é: o quanto a nossa comunidade participa ativamente dos rumos que a escola pública toma?

Discutir a década de 2026 a 2036 é admitir que os empreendedores, cientistas, artistas e cidadãos de 2036 estão sentados nas carteiras escolares agora mesmo. Se falharmos em desenhar um plano ambicioso, inclusivo e conectado com as reais necessidades do século XXI, estaremos fadados a preparar os jovens para um mundo que já deixou de existir.

A movimentação de Caraguatatuba rumo a esse pacto decenal é um lembrete necessário de que educar é, acima de tudo, um ato de coragem política e esperança coletiva. O futuro já começou a ser rascunhado; resta-nos garantir que ele seja digno do potencial das nossas crianças.


Foto: Divulgação/PMC

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