O casco que viajou longe: Como crianças de Caraguatatuba ensinaram o país a redescobrir a própria terra
Enquanto o futuro muitas vezes parece distante e abstrato, alunos do 4º ano da Rede Municipal transformaram folhas de papel, criatividade e identidade caiçara em um passaporte para o pódio nacional. Conheça a história de “Nina, a tartaruga Caiçara”.
Existe uma sabedoria silenciosa que habita as carteiras escolares das nossas crianças, um potencial criativo que frequentemente subestimamos na pressa do cotidiano adulto. O que acontece quando damos voz e pincéis para que os pequenos desenhem o amanhã? A resposta veio do litoral norte paulista, mais precisamente da EMEF Prof. Oswaldo Ferreira, em Caraguatatuba.
Em meio a milhares de concorrentes em todo o país, estudantes do 4º ano conquistaram o prestigiado 5º lugar no Prêmio EDP Escola da Energia 2026. Mas o verdadeiro troféu vai muito além de uma classificação: reside na forma como eles conseguiram traduzir a alma de sua terra em um livro artesanal e coletivo.
Quando a energia do passado abraça o futuro
Desafiados pelo Instituto EDP e pela Sincroniza Educação a refletirem sobre o tema "A energia da nossa terra ontem, hoje e amanhã", os alunos não recorreram a conceitos distantes dos livros didáticos frios. Sob a orientação sensível da professora Marilda Paes, eles olharam para o quintal onde vivem e deram vida a um mascote e protagonista inusitado: “Nina, a tartaruga Caiçara”.
Entre 4.572 estudantes e 209 livros produzidos nacionalmente, a obra de Caraguatatuba brilhou justamente por carregar a identidade regional impressa em cada página. Nina não é apenas uma personagem literária; ela é o símbolo da resistência cultural, da preservação ambiental e da herança caiçara que pulsa nas praias e comunidades do município.
Reflexão: Quem está educando quem?
A conquista, que será celebrada com medalhas de honra ao mérito a partir de outubro, nos deixa uma pergunta incômoda: quantas vezes deixamos de escutar o que as novas gerações têm a nos dizer sobre o lugar que habitamos?
Como bem pontuou a gestão municipal, o feito demonstra que, quando encontram incentivo real, as crianças não são apenas receptoras de conhecimento, mas produtoras ativas de cultura.
Em um mundo acelerado e digital, ver crianças do ensino fundamental pesquisando, escrevendo coletivamente, desenhando e valorizando as raízes locais é um lembrete revigorante. A verdadeira energia de uma cidade não vem apenas das tomadas ou das redes de transmissão, ela brota da curiosidade nos olhos de quem está começando a caminhar pela vida, mostrando que o futuro de Caraguatatuba está em excelentes mãos.
Foto: Divulgação/PMC
