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Saúde

O Custo Invisível da Prevenção: A Tragédia da Morte de Mariana e a Insegurança no Cuidado à Saúde

Há 51 minutos Leitura de 3 min Por Guilherme AAraújo - Jornalista Investigativo MTB 79157 | Escritor | Ativista Político | Gestor em Políticas Públicas | Palestrante | Negociador e Mediador de Conflitos | Membro da ABI/RJ nº E-002885
O Custo Invisível da Prevenção: A Tragédia da Morte de Mariana e a Insegurança no Cuidado à Saúde

O medo de encarar um diagnóstico grave levou Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, a seguir rigorosamente a prevenção médica recomendada. Marcada pelo histórico familiar de câncer colorretal — doença que vitimou seu pai —, ela deu entrada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Neto, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, para realizar sua primeira colonoscopia de rotina. No entanto, o que deveria ser um passo seguro em defesa da vida transformou-se em uma fatalidade devastadora: Mariana morreu após ter o intestino perfurado durante o exame.

O caso traz à tona um dilema angustiante que ultrapassa o luto familiar: como manter a confiança em exames preventivos essenciais quando a falha humana ou operacional transforma um procedimento de rotina em uma tragédia irreparável?


Do Exame Preventivo ao Leito de Cirurgia

Agente de organização escolar, mãe de três filhos (de 20, 15 e 9 anos) e comemorando uma recente conquista profissional, Mariana não apresentava problemas de saúde conhecidos. A decisão de passar pelo exame visava apenas monitorar a saúde intestinal preventiva.

Durante o procedimento executado pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda. — empresa terceirizada que presta serviços à unidade pública de saúde há 25 anos —, ocorreu uma laceração na parede da mucosa do cólon sigmoide. Relatos apontam que a lesão exigiu uma cirurgia reparadora de emergência de seis horas, com a remoção de parte do órgão, mas Mariana não resistiu e veio a óbito na tarde seguinte.

A Apuração e a Responsabilidade do Serviço Público

Após a notificação do óbito, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo determinou a abertura imediata de uma sindicância rigorosa para investigar a conduta da empresa terceirizada e apurar eventuais falhas nos protocolos. O caso também foi registrado como morte suspeita no 62º Distrito Policial, enquanto a perícia do Instituto Médico Legal (IML) avalia a extensão do trauma.

A colonoscopia é amplamente reconhecida pela comunidade médica como a ferramenta mais eficaz na identificação precoce e remoção de lesões pré-cancerígenas. Embora perfurações sejam complicações com baixíssima taxa de incidência estatística, a dimensão do acidente no caso de Mariana coloca sob reflexão a qualidade da fiscalização, do treinamento de equipes e do suporte prestado em serviços terceirizados na rede pública de saúde.

A Sombra da Dúvida na Saúde Preventiva

Tragédias como a vivida por Mariana deixam marcas que vão além do choro da família que perdeu o sustento e o aconchego de uma mãe. O episódio gera um impacto psicológico inevitável na população: a hesitação ou o receio de procurar cuidados preventivos por medo de intercorrências hospitalares.

Garantir fiscalização permanente, rigor nos procedimentos e acolhimento transparente às vítimas e familiares são pilares inegociáveis para preservar o valor do cuidado com o próximo. Até que ponto as falhas na prestação de serviços de saúde minam a confiança de quem busca apenas se proteger e preservar a própria vida?

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