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Saúde

O que é arritmia cardíaca e quais os sintomas?

05/09/2026 Leitura de 6 min Por Ester Bittencourt - Jornalista
O que é arritmia cardíaca e quais os sintomas?

Arritmias cardíacas ou disritmias cardíacas são alterações do ritmo ou da frequência dos batimentos cardíacos (do coração).

A principal atividade cardíaca de “bombear” (ejetar) o sangue para todo o corpo é comandada por um sistema elétrico natural (intrínseco), o tecido de condução elétrico cardíaco que através da formação e propagação de impulsos elétricos determina o ritmo e a frequência dos batimentos cardíacos.


Em condições normais o impulso elétrico é iniciado no nó sinusal (marcapasso ou pacemaker natural que se encontra na aurícula direita) propagando-se depois através do nó aurículo- ventricular, feixe de His e fibras de Purkinje até aos ventrículos, originando a contração destes e consequentemente o efeito de bombear o sangue.

A frequência normal de batimentos cardíacos varia entre 60 a 100 por minuto (bpm), permitindo ao coração “bombear” em média cerca de 5L de sangue por minuto.

Tipos de arritmias

As arritmias cardíacas podem resultar de qualquer anomalia nos diferentes componentes deste circuito elétrico e podem classificar-se de acordo com as alterações que provocam na frequência cardíaca (taquicardia, bradicardia, pausas) assim como pelo local de origem das disritmias (taquicardia supraventricular- a nível das aurículas, bloqueio aurículo ventricular, nó aurículo ventricular, taquicardia ventricular, ventrículos, etc).

Taquicardia

Frequência cardíaca superior a 100 bpm pode ocorrer em diversos tipos de arritmias como fibrilação auricular, taquicardia supraventricular, taquicardia ventricular.

Bradicardia

Frequência cardíaca inferior a 60 bpm pode ocorrer em diversos tipos de arritmias como bradicardia sinusal (doença no só sinusal), bloqueio aurículo-ventricular, fibrilação auricular.

Doença do nó sinusal

Disfunção do nó sinusal, o marcapasso natural da ativade cardíaca, manifestando-se como bradicardia sinusal, pausas sinusais, taquicardia sinusal ou uma mistura destes fenómenos.

Taquicardia supraventricular

Engloba um conjunto de arritmias originadas nas estruturas cardíacas e tecido de condução acima dos ventrículos, podendo originar frequências cardíacas muito rápidas, entre 150 a 250 bpm, e portanto muito sintomáticas.

Na maior parte das vezes resultam de focos arrítmicos provenientes das aurículas (fibrilação auricular, taquicardia auricular) ou de circuitos elétricos anómalos ao nível de nó aurículo ventricular ou mediados por vias de condução acessória (taquicardia de reentrado nó aurículo ventricular/ aurículo-ventricular).

Fibrilação auricular

A fibrilação auricular é uma das arritmias mais frequentes, especialmente a partir dos 60 anos.

Esta arritmia é particularmente importante porque é uma das principais causas de acidentes vasculares cerebrais (AVC’s)- a principal causa de morte e incapacidade em Portugal.

Resulta de uma atividade auricular caótica que se sobrepõe ao ritmo cardíaco normal, originando batimentos cardíacos irregulares, na maior parte das vezes rápidos mas que também poderão ser lentos.

A contração ineficaz das aurículas pode originar a formação de pequenos coágulos sanguíneos (trombos) nesta região, que poderão migrar para a circulação sanguínea e originar AVC’s. Daí que nos casos de maior risco os pacientes necessitem de ser medicados com um fármaco que diminua o risco de formação desses trombos, a Hipocoagulação oral.

Extrassístoles (Supraventriculares ou Ventriculares)

As extrassístoles são batimentos cardíacos extra, com origem nas aurículas ou ventrículos, que alternam com o ritmo cardíaco normal. Originam batimentos cardíacos irregulares e podem causar sintomas como palpitações, tonturas, sensação de mal estar torácico, etc.

Bloqueios fascicular e aurículo - ventricular (AV)

Caracterizam-se por uma deficiência (bloqueio) na condução dos impulsos elétricos gerados ao nível do nó sinusal ou das aurículas até aos ventrículos levando a um atraso ou diminuição das contrações ventriculares.

Nos bloqueios de ramo fascicular ocorrem alterações na condução a nível do feixe de His (Bloqueio Ramo Direito, Bloqueio de ramo esquerdo, Hemibloqueio fascicular anterior ou posterior). Em grande parte dos casos estas situações são benignas e assintomáticas. Podem surgir associados aos Bloqueios AV.

Nos bloqueios AV a condução no nó AV está danificada. Existem 3 tipos de bloqueio AV - 1º, 2º ou 3º grau e podem cursar com Bradicardia severa, Síncope (desmaio) ou Morte súbita. Nos casos de maior risco poderão necessitar de um Pacemaker para garantir o normal funcionamento do coração.

Arritmias ventriculares

arritmia ventricular como o próprio nome indica, possui origem nos ventrículos como taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular. São arritmias graves, com frequências cardíacas muito elevadas e que podem cursar com Morte Súbita ou Síncope (desmaio).

Na maior parte das vezes, surgem em pacientes com doença cardíaca prévia como enfarte agudo do miocárdio ou insuficiência cardíaca. Nalguns casos estes pacientes necessitam de implantar um Cardidesfibrilhador (CDI) para prevenir a Morte Súbita.

Arritmias hereditárias e Morte Súbita

Existe um conjunto de arritmias secundárias a anomalias genéticas hereditárias (que se transmitem de pais para filhos). Manifestam-se em idades mais jovens, por vezes em corações estruturalmente normais, e originam arritmias graves (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular) que podem causar morte súbita. Nalguns casos estes pacientes necessitam de implantar um Cardidesfibrilhador (CDI) para prevenir morte súbita.

Exemplos:

Causas da arritmia cardíaca

As causas de arritmias são diversas, uma vez que o sistema de condução elétrico cardíaco pode sofrer vários tipos de interferências ou estar danificado em vários tipos de patologias:

Sintomas na arritmia cardíaca

Os principais sintomas relacionados com arritmias são os seguintes:

Diagnóstico da arritmia cardíaca

O diagnóstico das arritmias é habitualmente efetuado através de um Electrocardiograma (ECG). Um ECG é um registo instantâneo da atividade elétrica cardíaca, captada através de vários elétrodos posicionados na pele. É o exame mais utilizado em cardiologia, sendo especialmente útil quando realizado na mesma altura dos sintomas dos pacientes mas também como exame de rotina ou rastreio.


Os registadores Holter são dispositivos portáteis que permitem registar e gravar continuamente eletrocardiogramas dos pacientes durante períodos de tempo maiores - 24 h, 48h, 7 dias. 


Quando as arritmias se manifestam em intervalos de tempo mais alargados (meses ou anos), podem ser identificadas através de implantação de registadores de eventos cardíacos subcutâneos, que se colocam debaixo da pele dos pacientes, na região do toráx, e permitem gravar a atividade cardíaca durante 3 a 6 anos.

Noutras circunstâncias as arritmias só surgem durante o esforço pelo que podem ser despoletadas e identificadas por uma Prova de Esforço. Uma prova de esforço é um exame onde os pacientes exercem atividade física (marcha, bicicleta) sob monitorização eletrocardiográfica contínua.


O Teste TILT ou teste de inclinação pretende identificar distúrbios no sistema nervoso autónomo, um dos reguladores da pressão arterial e frequência cardíaca, e que pode causar arritmias e alterações na pressão arterial causando sintomas como tonturas ou síncope.

O Estudo Electrofisiológico é um exame invasivo que permite registar a atividade elétrica intracardíaca, através de cateteres posicionados diretamente em contacto com as diferentes estruturas cardíacas. Esses cateteres são avançados através das veias e artérias femorais até ao coração e depois são capazes de identificar diferentes circuitos ou mecanismos responsáveis pelas arritmias. Por vezes, esses circuitos podem ser eliminados (Ablação) através de aplicação de energia externa (radiofrequência ou térmica).


Para além dos atrás referidos, outros meios complementares de diagnóstico são habitualmente utilizados no diagnóstico. Estes meios permitem auxiliar na identificação de causas ou condições associadas a arritmias, a saber:

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