Retomada do Cine Macunaíma no auditório da ABI
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) retoma o Cine Macunaíma, recolocando em atividade um espaço histórico de exibição, debate e formação cultural que marcou a resistência democrática durante a ditadura militar.
A sessão de lançamento, no próximo dia 24/7, será marcada pela estreia, no Rio de Janeiro, do documentário Alberto Dines – Vínculos de Liberdade, do diretor Ugo Giorgetti, que nos apresenta um ser humano inquieto, obsessivo e profundamente comprometido com a ideia de independência intelectual. Em uma trajetória histórica, Dines ajudou a moldar experiências sofisticadas do jornalismo brasileiro durante os anos da ditadura militar, transformando a própria linguagem dos jornais em forma de resistência à censura e, mais tarde, convertendo a crítica da imprensa em tema permanente da vida pública nacional.
Macunaíma, um espaço cultural em defesa da democracia
Em 1973, sob a repressão da ditadura militar, por iniciativa de Maurício Azedo, juntamente com Fichel Davit Chargel, Luiz Paulo Machado, Ancelmo Gois, Elane Maciel e Jalusa Barcelos, foi fundado o Cineclube Macunaíma, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Durante 14 anos, o espaço foi um polo cultural vital, promovendo pré-estreias nacionais, cinema latino-americano e debates com críticos. Além de formar plateias, resistiu como palco político e artístico até 1987, quando encerrou suas atividades.
O retorno do Macunaíma ao auditório da ABI recoloca em cena uma experiência histórica que articulou cinema, jornalismo, política e direitos humanos em um dos períodos mais emblemáticos da história brasileira. Ao exibir filmes que marcaram época, obras independentes e cinematografias alternativas, o projeto contribui para a construção de um espaço de resistência cultural e de formação crítica da sociedade brasileira.
No contexto atual, marcado pela desinformação e por ataques à liberdade de imprensa e à cultura, a retomada do Cine Macunaíma/ABI assume caráter estratégico, ao permitir a atualização de sua vocação histórica de resistência, crítica e formação de público, reafirmando a ABI como espaço de defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos.
Mais do que sessões de cinema, o Cine Macunaíma/ABI promoverá debates, conectando a sétima arte às lutas democráticas. O projeto é fundamental para a formação de novas gerações de cineastas, críticos e militantes, fortalecendo o movimento cineclubista. Sua atuação transformará o auditório da ABI em um território livre para o pensamento crítico e a celebração estética. O Cine Macunaíma/ABI será lembrado como um marco da ocupação cultural urbana e da defesa da liberdade de expressão, unindo arte e política de forma indissociável.
Carta de Fichel Chargel
Fichel Davit Chargel, conselheiro da ABI, em carta, comenta a retomada do Cine Clube Macunaíma:
“Muito bacana a iniciativa da nossa Associação, publicada no site há alguns dias, com o título Retomada do Cine Macunaíma no auditório da ABI: apresentar em primeira mão o documentário Alberto Dines – Vínculos de Liberdade, do diretor Ugo Giorgetti.
Jornalista com J maiúsculo, “Dines ajudou a moldar experiências sofisticadas do jornalismo brasileiro durante os anos da ditadura militar”, destaca a matéria.
Mais bacana ainda é abrir a programação do novo cinema da nossa entidade com esse filme. Trabalhei com Dines muitos anos no Diário de Noite e no Jornal do Brasil. Um companheiro que dignificou a profissão de jornalista e é motivo de orgulho para todos nós.
Queria aproveitar a oportunidade para enriquecer a história do icônico Cineclube Macunaíma, criado em 1973, por um grupo de jornalistas inspirados no Cineclube Glauber Rocha, que funcionava na Igreja São Francisco Xavier, Tijuca, fundado pelo companheiro Marco Aurélio Marcondes.
Além de mim, como todos estão cansados de saber, participavam do grupo Maurício Azedo, Luiz Paulo Machado, Carlos Jurandir, Ronaldo Buarque, Elane Maciel, Ancelmo Gois, Anderson Campos, Jalusa Barcelos e outros que, no momento, não lembro.
Por sugestão de Azêdo, apoiada por todos, tornei-me o presidente do cineclube, que nasceu numa época política dificílima no Basil. Enfrentávamos a ditadura militar com sua violência cada vez maior, assassinando qualquer um que tivesse a ousadia de pensar diferente dela.
A bem da verdade, a criação do cineclube foi uma tarefa partidária. Éramos um grupo de jornalistas do chamado “partidão”, todos comunistas, “graças a Deus” (viva Zelia Gattai!). Nossa luta era devolver o país a um regime de ideais democráticos.
Conseguimos nosso objetivo de criar um espaço de debates e de formação de plateia, burlando a ditadura militar, graças a Prudente de Moraes, neto, então presidente da ABI.
Sem ele, não poderíamos ter levado adiante a nossa missão. Dr. Prudente, como o chamávamos, um homem de visão, acolheu nossa bandeira de criar o Cineclube Macunaíma, que passou a funcionar aos sábados, no 9ºandar da sede da associação, e sobreviveu até novembro de 1987.
Foi um período do qual até hoje me orgulho. Por isso, quando surgiu a oportunidade de fazer um cinema em Paquetá, na Casa de Cultura José Bonifácio, de minha propriedade, que transformei em museu, não tive dúvidas. Decidi recriar o Cineclube Macunaíma, com o objetivo de formar plateia e preencher um vazio na ilha, que não tem cinema há várias décadas. Um grupo de amigos contribui para a execução do projeto na infraestrutura e na seleção de filmes, que são exibidos às sextas-feiras, às 18 horas, seguidos da palestra de um convidado ou debate.
Aproveito para convocar os colegas para prestigiar a exibição do documentário nesta sexta-feira, 24 de julho, às 18 horas, na ABI, 9º andar. Maurício Azêdo, Carlos Jurandir, Ronaldo Buarque, Anderson Campos, PRESENTE “.
“SERVIÇO:
Quando: 24/7/2026, s 18h
Onde: Auditório do 9º andar da Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Rua Araújo Porto Alegre, 71, Centro, Rio de Janeiro-RJ